Quinta-feira, Julho 28
Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
porque eu tô voltando...
Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor, vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar, pode se preparar
porque eu tô voltando...
Põe pra tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó
Que eu tô voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá lá lá iá, lá lá lá lá lá iá, porque eu tô voltando...
Grande Edu Lobo, mestre Chicão,
mamo os dois!
Cara tem mãe_
Quarta-feira, Julho 27
Escrevi uma breve novela surruralística urbana de amor,
dividida em duas partes:
Parte 1
e
Parte 2 (final)
Ô doutô Marinho, ó nóis aqui paxão...
Cara tem mãe_
Quarta-feira, Julho 20
O artigo abaixo sobre a Flip se encontra também disponível em:
Eletroliterária
Ré, eu tenho a boca grande.
Cara tem mãe_
Terça-feira, Julho 19
Matéria veiculada no jornal Gazeta de Piracicaba.
Quem leu, leu.
Nos mais, quem quiser taí.
Grande abraço.
FLIP 2005 - maravilhoso mosaico cultural
"... Não quero mais saber do lirismo que não é libertação".
trecho do poema "Poética" de Manuel Bandeira
Nunca se deve negar elogios ao que é verdadeiro, puro, belo.
Paraty tem em sua natureza enraizada e latente, todo esse
universo que comporta boemia e as mais puras manifestações
culturais (fato que não chega a ser necessariamente novidade).
Agora, tudo muda de figura quando essas qualidades tão
singulares se permeiam com um pretexto bem maior: o de divulgar
a literatura brasileira e estrangeira como frutos de
uma mesma mãe - a arte por si só. Sem sombra de dúvidas,
esse é o grande mérito da FLIP que ocorreu entre os dias
6 e 10 de julho em Paraty.
A Festa uniu elementos tão próximos e tangíveis que primou
o estandarte absoluto de perfeição-sublimidade.
Por isso podemos dizer com a máxima força de expressão
que ficamos bêbados não só com a pinga de Paraty,
mas com toda a atmosfera de completude que o evento envolvia.
Essa viagem nos é vital, até porque toda viagem é um
processo de encontro.
Reencontro com o que se quer encontrar. Sempre lá no fundo,
nós mesmos (renovados por novos horizontes e possibilidades).
Essa é a verdade: mostrar que realmente somos humanos e
amamos quando nos revelam nossas intensidades; que somos
capazes de sonhar, transcender e realizar (interna ou externamente)
nossas fantasias.
Muitas exposições, tendas, workshops, sarais poéticos, rodas
de ciranda, samba e outras danças folclóricas, apresentações de grupos
de teatro, exibição de filmes, degustação de pinga nas ruas, MPB e
bossa-nova nos bares e restaurantes, pintura e recreação para as crianças,
entre tantas coisas.
Lindo cenário em movimento que deixava pasmos e meio perdidos
todos os turistas e paratienses que fizeram parte dessa
explosão cultural-artística.
É de se convir também que ninguém esperava tantas atrações extras
aos autores consagrados na Tenda principal.
Nomes como Salman Rushdie, Jô Soares e suas piadas prontas,
Arnaldo Jabor, o escritor israelense David Grossman,
Luis Fernando Veríssimo, o rapper MV Bill (que roubou cena dando
o seu testemunho sobre a realidade das favelas brasileiras)
e o grande mestre e patrimônio humano, Ariano Suassuna.
Era muita informação para a cabeça,
a começar pela quantidade de espaços declarados da festa:
Casa da Cultura, Teatro Espaço, Tenda da Matriz,
Tenda do Telão, Tenda dos Autores, Sede da Off-Flip, Flipinha,
Exposição do Bloco da Lama e da Cultura Caiçara (Arraial Cultural),
ateliês, cafés e afins.
Mas nem por isso a sinfonia deixou de existir fora desse roteiro.
Dias de sol apontavam e transbordavam poesia nas ruas, nos olhos,
nas praias e igrejas. Tudo se fazia urgentemente vivo.
A abertura da FLIP rolou intercalada por uma justa homenagem
à escritora Clarice Lispector e pelo show do inominável Paulinho da Viola.
O personagem literário Dom Quixote de Cervantes também foi
figura marcada no discurso de diversos escritores e na decoração da festa,
celebrando seus inabaláveis 400 anos de existência.
Foram várias discussões sobre as obras dos escritores integrantes
das mesas e é claro, como não poderia escapar muito da realidade,
discussões paralelas sobre o atual e impregnante contexto político em
que o país se encontra. O jornalista-escritor-cineasta Arnaldo Jabor,
em uma exposição pessoal sobre o panorama político, chegou a ser vaiado
e simultaneamente ovacionado pela platéia.
Bom, mas obstante desses momentos que ao ver coletivo foram
extremamente cômicos; sinceramente, o que me deixa impressionado,
é a nítida evolução que a Festa tem passado em seu curto período
de surgimento (a FLIP começou sua história em 2003).
Tantas personalidades em uma organização bem desenvolvida
(ainda que existam críticas à forma como os ingressos foram disponibilizados
e esgotados logo no primeiro dia de venda via Internet para esse ano;
e também aos preços meio careiros circundantes), que convulsiona os
participantes e aspirantes à escrita.
É gratificante saber que eventos dessa natureza tomam proporções
tão admiráveis que causam efeitos como a presente matéria.
Não é possível verbalizar totalmente o sentimento acometido durante o
período em que se desenrolou o festival. Uma palavra sem aforismo
ou exagero talvez represente um pouco a idéia: único.
Só estando em Paraty mesmo para partilhar da energia passada tanto
na cidade quanto nas pessoas que ali se encontravam.
Foi incrível enquanto durou.
Entrementes: participei com alguns outros jovens poetas
do Cabaré Literário (Teatro Espaço de Paraty), varais poéticos
nas pedregosas quebradas e na alegria toda reunida. É impossível passar
em branco e por isso, gostaria de agradecer infinitamente aos anônimos
e também conhecidos que integraram esses cinco dias de loucura abissal.
Aos novos poetas e contistas piracicabanos Flavio Pucci, Dalton Campos,
Fernando Zuim, Jean Carlo, Lucas Salles, Ricardo Rossi, Vinicius Velo
e Alexandre Jappa; aos cariocas Chacal, Ricardo Ramos e Val Borges;
os paraibanos-cordeleiros Edson de Moura e Olímpio Rocha;
aos paulistanos de cadência de batuque Tunico, Witor Alves, Well Freitas
e Andréa Queixuda Ribeiro; os paratienses Flávio Araújo, Guilherme Casado,
Tetê, Moreno Mello, Lúcio Slayer, Vitara do Engenho, Jones, Luiz Henrique,
Inez (idealizadora do recital no Teatro Espaço), Magrão, Borel, Pedrote;
e por fim, Nádia Chuahy e Dona Vânia (sem vocês, eu não existo).
Sem mais palavras, a alma da festa.
É só e é muito mais. Para mais idéias do que foi e o que é a FLIP,
dêem uma olhada nos sites: www.flip.org.br e www.ecparaty.org.br .
Até mais e raios para todos!

Cara tem mãe_
O que me entristece,
não são os cinco reais gastos
Mas a alegria
transbordando a latrina
Caio Carmacho
Cara tem mãe_
Segunda-feira, Julho 18
Bombando umas funkêras brabas aí.
Borel recomenda.
Cara tem mãe_
Quinta-feira, Julho 14
Odeio voltar pra realidade.
Mas fazer o que?
Alguém aí tem um Halls preto?
Cara tem mãe_
Terça-feira, Julho 12
Intervalo Comercial
Cara tem mãe_
Sexta-feira, Julho 1
Casa e cara nova.
Dalton agora noutros espaços.
O vôo do Carcará continua...
Dalton in Furs!
Cara tem mãe_






